sábado, 22 de dezembro de 2012

[Drops 05] O Brasil foi percebido como um país mais ético em 2012


Transparency International


Este ano o Índice de Percepção da Corrupção classificou 176 países e territórios de acordo com o nível de corrupção percebida em seus respectivos governos.

Elaborado anualmente pela Transparência Internacional, a classificação obedece a uma escala de 0 a 100 (até o ano passado a escala variava entre 0 e 10), onde uma pontuação baixa significa um país muito corrupto e uma pontuação alta um país muito “limpo”.

No índice de 2012, dois terços dos países e territórios analisados ficou abaixo dos 50 pontos, o que demonstra que a corrupção ainda é um enorme problema a ser enfrentado em nível mundial.

A notícia ruim é que o Brasil - cotado a ser a quarta ou quinta maior potência econômica do mundo por volta de 2050 - está inserido neste grande grupo de países percebidos como corruptos e muito corruptos, ocupando a 69a posição.

A notícia boa é que o índice subiu e há muito o que comemorar: os 43 pontos que o Brasil recebeu em 2012 é a maior pontuação obtida pelo país desde que o índice foi criado em 1995.

Que o ano novo continue a trazer ótimas notícias sobre este tema.

Um excelente 2013 para você!




Conheça a íntegra do Índice de Percepção da Corrupção 2012 clicando aqui: http://transparency.org/cpi2012/

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

[Drops 04] Cigarros e mísseis sustentáveis? Como assim?


"NATURAL TEM UM SABOR MELHOR"
Nós plantamos o nosso tabaco natural premium de uma maneira responsável e sustentável através dos nossos programas de crescimento orgânicos e amigos do ambiente. Nós também nos esforçamos para reduzir o nosso impacto na terra utilizando materiais reciclados e fontes de energia renováveis como a energia eólica. Proteger a Terra é tão importante para nós como é para você. Experimente você mesmo o sabor verdadeiro e autêntico de um tabaco natural e 100% livre de aditivos. Nós achamos que você vai concordar, natural tem um sabor melhor.
 Foto original de: ATIS547. Disponível em: www.flickr.com/photos/albaum/2307102594/. Attribution-NonCommercial-ShareAlike 2.0 Generic (CC BY-NC-SA 2.0). Acesso em: 20 Mar. 09.

Quando li que uma linha de cigarros sustentáveis e socialmente responsáveis havia sido lançada nos EUA, lembrei de um trecho do já clássico filme The Corporation, de 2004, onde o empresário Ray Anderson faz a seguinte provocação: “Podemos fabricar minas terrestres de forma sustentável?”.

Se a pergunta parece estranha, basta pesquisar os sites e relatórios dos principais fabricantes de armamentos do mundo para constatar que eles agora fabricam bombas, mísseis e aviões de guerra de maneira cada vez mais sustentável.

Não existe uma solução simples para as indústrias de cigarros, de armas e de tantos outros produtos que se constituem verdadeiros desafios para a sustentabilidade. Já ouvi alunos em sala de aula defendendo o fato que é melhor que essas empresas façam alguma coisa do que nada em relação ao tema. Sustentabilidade é para todos, sim.

Para tentar iluminar esta questão: quando esteve no Rio de Janeiro, em 2002, ouvi Fritjof Capra observar que a idade da pedra não terminou porque acabaram as pedras - "as pedras existem até hoje!" - e que, de forma semelhante, o final da idade do petróleo não vai coincidir com o término do petróleo, ela vai acabar antes disso.

Para a indústria petroleira, ele recomendou pensar-se sempre como algo maior: uma indústria de energia. E que ela poderia aproveitar toda a sua experiência acumulada para ajudar o mundo, por exemplo, a desenvolver uma mobilidade mais sustentável. Isso pode servir de inspiração para outras indústrias.

Já que falamos em consumo, lembrei de outro vídeo clássico, A História das Coisas. Annie Leonard e seus parceiros fizeram tanto sucesso na internet [www.storyofstuff.orgque outros vídeos foram produzidos na sequência. No sexto vídeo da série, A História da Mudança, ela explica porque os cidadãos - e não os consumidores - possuem a chave para um mundo melhor.

Clicando no link abaixo, você assiste ao novo vídeo com legendas em português:



E o vídeo da campanha do Departamento de Saúde e Higiene Mental da cidade de Nova York contra o consumo de refrigerantes com açúcar você confere clicando aqui:







segunda-feira, 19 de novembro de 2012

[Drops 03] O que é “transparência”? E qual é a empresa mais transparente do mundo?




De acordo com a norma mundial de responsabilidade social, a ISO 26000, a palavra “transparência” é definida no mundo dos negócios como “franqueza sobre decisões e atividades que afetam a sociedade, a economia e o meio ambiente, e o desejo de comunicá-las de forma clara, precisa, oportuna, honesta e completa”.1

Conceitualmente, a transparência pode ter um significado mais abrangente ao incluir também a ausência de corrupção e o fato de saber ouvir e considerar as opiniões e expectativas dos públicos de relacionamento nas decisões organizacionais.2

Recentemente a ONG Transparency International - que tem como missão promover a diminuição da corrupção global - divulgou um estudo3 sobre a transparência das 105 maiores multinacionais de capital aberto do mundo (FORBES, 2010), com operações ou subsidiárias em mais de um país, de acordo com os seguintes critérios:

a) Divulgação pública dos programas anticorrupção da organização - e que inclua o tratamento de questões relacionadas a suborno, pagamento de facilitações, proteção aos informantes e contribuições políticas

b) Promoção da transparência organizacional, incluindo informações sobre as suas participações societárias

c) Publicação de relatórios abrangendo todos os países de atuação

A norueguesa Statoil foi considerada a multinacional mais transparente do mundo, obtendo 8,4 pontos numa escala de zero a 10. A lista incluiu também três empresas brasileiras: Bradesco (4,8 pontos), Petrobras (4,7 pontos) e Vale (4,7 pontos).

Conheça o trabalho da Transparency International clicando no link abaixo (legendas em português):





Referências:

1 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 26000:2010: diretrizes sobre responsabilidade social. Rio de Janeiro: ABNT, 2010. 110 p.

2 ALMEIDA, Fernando. O Bom Negócio da Sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002. 191 p.

3 TRANSPARENCY INTERNATIONAL. Transparency in Corporate Reporting: assessing the world’s largest companies. 2012. Disponível em: www.transparency.org/news/feature/shining-a-light-on-the-worlds-biggest-companies. Acesso em: 31 Jul. 12.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

[Drops 02] Sabão vem da árvore ou da Unilever? Conheça a reetha, a novidade que vem da Índia e que você nunca imaginou existir.


Reetha: a surpresa que vem da Índia

Sustentabilidade é uma jornada de descobertas e redescobertas.

Certa vez fui convidado pelo meu amigo Luciano Pacheco para realizar um simpático workshop sobre o tema com os professores do Colégio Paulo Freire, em Niterói. Lá soube da história de um menino de cinco anos que, no primeiro dia de aula, ao ver o galinheiro da escola, apontou para uma galinha e disse: "Mãe, olha lá uma Knorr!”.

Como professor, tenho a oportunidade de ouvir muitas histórias. Uma outra é sobre aquele garotinho que, indagado se sabia de onde vinha o leite, respondeu prontamente: "Do supermercado!”.

Bom, conto estas duas histórias reais para ilustrar a minha total e absurda surpresa ao conhecer a reetha (pronuncia-se "ríta”, com o "i” mais longo). Se tivessem me perguntado de onde vem o sabão, eu poderia ter respondido, de forma mais sofisticada, algo como: "Vem da Unilever”. Porque jamais imaginaria na minha vida encontrar uma semente que produz... sabão! "Mãe, olha lá um Omo Total!”.

Também conhecida como soapnut ou soapberry, a reetha é usada desde a antiguidade na Índia para escovar dentes e lavar cabelos e roupas. Mariana Kohler, Giselle Paulino e eu usávamos todos os dias para lavar os pratos e talheres - alguns deles bem engordurados - utilizados nas refeições em Bija Videapeeth, a escola de sustentabilidade fundada pela indiana Vandana Shiva em parceria com o Schumacher College, do Reino Unido.

Uma das coisas mais importantes sobre a reetha é que seu uso não tem contraindicações e não trás contaminações ao solo.

Veja o vídeo e aprenda como usar:




Para saber mais sobre a reetha acesse:


Para conhecer a escola Bija Videapeeth, na Índia:


[Publicado originalmente no site Plenitude Social em 09 de agosto de 2012]



[Drops 01] Solo, Ser e Sociedade - Satish Kumar


Solo, Ser e Sociedade - Satish Kumar, 2008


O indiano Satish Kumar adota o Soil, Soul & Society [Solo, Ser & Sociedade] como modelo para promoção de uma vida sustentável.
Diferentemente do Triple Bottom Line [Linha dos Três Pilares, tradução que não "pegou” no português], do inglês John Elkington, não se constata aqui uma dimensão específica para os valores monetários. Como assim? Não aprendemos que a sustentabilidade se apoia nas dimensões social, ambiental e econômico-financeira?
Satish diz que as organizações são frutos das ações humanas coletivas e, portanto, devem pertencer à dimensão “sociedade”. Sendo assim, as perguntas mais importantes neste novo modelo são: De que forma as organizações se constituem um serviço ao ser humano? E de que forma elas entendem que a sua relação com a natureza não é a de posse, mas de tutela para as futuras gerações?

Saiba mais sobre o Solo, Ser e Sociedade na voz do próprio Satish Kumar:


[Publicado originalmente no site Plenitude Social em 05 de julho de 2012]