segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

[Drops 12] Monoculturas da Mente

Vandana Shiva - Monoculturas da Mente
Foto original de Giselle Paulino, 2008

Ainda sobre a postagem anterior, A Perda da Diversidade e a sua íntima relação com as monoculturas, é interessante conhecer o pensamento da física, filósofa e feminista indiana Vandana Shiva.

De acordo com ela, a estruturação da agricultura em monoculturas é possível porque este sistema está primeiramente legitimado na minha mente, numa forma de pensar que ela nomeou como “Monoculturas da Mente”:

“A principal ameaça à vida em meio à diversidade deriva do hábito de pensarmos em termos de monoculturas, o que chamei de ‘monoculturas da mente’.  As monoculturas da mente fazem a diversidade desaparecer da percepção e, consequentemente, do mundo.  Adotar a diversidade como uma forma de pensar, como um contexto de ação, permite o surgimento de muitas opções”.

Vandana fundou na Índia em 1991 a Navdanya, um movimento nacional com o propósito de proteger a diversidade e a integridade dos recursos biológicos - especialmente as sementes nativas - e promover a agricultura orgânica e o comércio justo.

“As diversas sementes que agora estão fadadas à extinção carregam dentro de si sementes de outras formas de pensar sobre a natureza e de outras formas de produzir para satisfazer nossas necessidades”.

O conceito de “monoculturas da mente” não se restringe à agricultura, ele se expande pela nossa forma de viver. Conheça com a própria Vandana Shiva como isso acontece no excelente vídeo do projeto Fronteiras do Pensamento: http://www.fronteirasdopensamento.com.br/videos/player/?13,378

Não se esqueça de ativar as legendas em português na própria tela de exibição.

Fonte: SHIVA, Vandana. Monoculturas da Mente: perspectivas da biodiversidade e da biotecnologia. São Paulo: Gaia, 2003. 240 p. Tradução de: Monocultures of Mind, 1993. 

domingo, 21 de setembro de 2014

[Drops 11] A Perda da Diversidade



A Diminuição da Variedade dos Alimentos

Gráfico original: NATIONAL GEOGRAFIC, disponível em
http://ngm.nationalgeographic.com/2011/07/food-ark/food-variety-graphic.


Em Bija Vidyapeeth eu acordava muito cedo e ia para a biblioteca estudar. Uma das publicações que tive acesso e que mais me impactou foi o livro Fatal Harvest: The Tragedy of Industrial Agriculture (Colheita Fatal: A Tragédia da Agricultura Industrial), de Andrew Kimbrell (Foundation for Deep Ecology, 2002).

Nele li que conforme o modelo industrial foi sendo aplicado à agricultura, muitas variedades de vegetais foram desaparecendo:

A realidade é que sem os processos industriais nós não seríamos capazes de comer uma maçã “fresca” da variedade Red Delicious durante os 365 dias do ano. No entanto, nós seríamos capazes de apreciar muitas das milhares de variedades cultivadas neste país [EUA] durante o século passado que agora estão desaparecidas. Por conta do sistema de agricultura industrial, a maioria daquelas variedades hoje estão extintas; somente duas variedades de maçãs contabilizam mais de 50% do atual mercado de maçãs. Ao organizar nossas colheitas em monoculturas, a agricultura industrial não somente limita o que nós podemos comer hoje, como também reduz as escolhas das futuras gerações.

De acordo com a publicação, 86,2% das variedades de maçãs foram perdidas em apenas 80 anos no século passado, no período compreendido entre 1903 e 1983. O gráfico acima, elaborado pela National Geografic com dados da antiga National Seed Storage Laboratory (atual National Center for Genetic Resources Preservation) mostra as perdas constatadas em outras 10 culturas no mesmo período.

Entender, preservar e promover a diversidade, inclusive das espécies vegetais, se constitui um dos maiores desafios para um planeta sustentável. Já havia pensado nisso?